Coluna Conquista City 05/2018

Coluna Badaia

                                                           Coluna Conquista City 05/2018

                                                                            * Carlos César Bragato (Badaia)


Opa! Opa! Cheguei... sem estilo, mas “tô” aqui.
Um 17 de fevereiro, dia “quente”, 17:26 horas , sol forte... meia –noite vamos voltar os ponteiros do relógio em 1:00 hora, fim deste incrível horário de verão... não gosto... não me importa a sua preferencia... e respeito-a...

Cara, vou dizer umas frases que li aqui no computador... “O Brasil é o único país onde a escola é de samba...o sertanejo é universitário e o povo analfabeto.” Nem tanto analfabeto... mas tem milhões de pessoas desempregadas!

“Click”, liguei o radinho preto, companheiro de anos e anos... “quantas vezes eu tentei falar//que no mundo não há mais lugar pra quem toma decisões na vida, sem pensar//conte ao menos ate três//se precisar conte outra vez//meu bem...meu bem... meu bem...eu te amo”. É Roberto Carlos...

Tempos idos, Verissimo e Maria, casal afrodescendentes, trabalhavam assiduamente na terra, na Fazenda dos Alves da Silva... 3 quilômetros  da City...após 3, 4 meses de labuta, vinham para Conquista, com a “finalidade de fazer compras... e as faziam... com dinheiro ou sem dinheiro... pessoas honestas... só que Verissimo gostava de “bebericar uns goles de cachaça” quando por aqui vinha... eram 2 a 3 semanas de bebida alcoólica... Maria não bebia... era a perfeita “Amélia”. À noite escolhiam um lugar para dormir, com qualquer proteção quanto à chuva e fim... amanhecia e a rotina acontecia...
Ele andava no meio da rua e ela atrás... Verissimo batia no peito e gritava “passe o tempo que passar o PTB que vai ganhar”, brincava com todas as pessoas, mas quando não bebia, nem levantava a cabeça para cumprimentar quem quer que fosse... o efeito do álcool é assim, dependendo da pessoa. Gostava do “seu “ Iebí Canassa... às vezes chegava no comercio dele e pedia uma cachaça... era uma “padaria”... mas o  “gole” saia... saindo daquela casa de comercio... na porta virava e dizia: “seu Iebí, fique com Deus”, ao que a resposta vinha “vai com Deus Verissimo”... já na calçada, falava “seu Iebí, que força suprema Ele tem... eu falo pra Ele ficar com o senhor, o senhor manda Ele vim comigo... e, é Um só”... dava a sua bela e famosa gargalhada e lá ia no seu itinerário... “passe o tempo que passar o PTB que vai ganhar” e Maria seguindo ele... no fim “das contas”, voltavam pra Fazenda e o trabalho, no outro dia, acontecia... sempre ali... 3 a 4 meses sem álcool ... e a vida continuava... continuava.

Verissimo era natural de Paracatú... “Paracatús” como dizia... conterrâneo do Juíz de Direito desta cidade, à época,  Dr. Lindolfo Bernardes dos Santos que, de uma maneira limpíssima e honesta, começou a construir o segundo pavilhão da escola estadual (Ginásio) que, honrosamente, leva seu nome. Coisas da Conquista City... O radinho preto manda “My way” com Elvis Presley, que como era de costume, a interpretava magistralmente... Frank Sinatra também teve a honra de canta-la... letra e música do fenomenal Paul Anka... que também a gravou... lógico. Quem foi que interpretou “My Way”,melhor? Bicho, questão de preferência... são 3 “monstros” da música mundial!!

Recordo os idos de 1970. O nosso “conjunto musical os Mesmos”, iria “tocar” durante os 10 dias de “alegria” no Barracão  Paroquial... eu e Cangerê chegamos mais cedo, tudo iria começar às 21:00 horas... nosso instrumental era o que de melhor existia nos “Conjuntos” da Jovem Guarda. Bem, numa barraquinha, todo mundo estava de olho no litro de Whisky que iria ser a “bola da vez”... inúmeras pessoas se apertando com a cartela do bingo às mãos... Cangerê e eu também. Começou-se a cantar as “pedras”... de repente um grito se ouviu: “péra aí eu também quero uma  cartela pra jogar”... todos acharam ruim com aquele bêbado bem trajado, que ali chegava e queria jogar... o dono da concorrida barraca disse-lhe: “olha já cantei 2 pedras, vai querer assim mesmo?” “Sim”, respondeu o cara bêbado, mas nem tanto... pegou a cartela gritando a todos os cantos que iria jogar pra ganhar... o pessoal, já ficando mais nervoso e com o “saco” cheio dele, mais agitado ficava, muito também para ganhar o Whisky... ele pegou os milhos para marcar os números que havia sido sorteados... e o jogo seguiu. Ganhava a prenda famosa quem marcasse os 5 números cantados... era o jogo chamado de “pedra louca”... ai, aconteceu o seguinte: o dono da barraca cantou mais 3 pedras e outro grito conhecido se ouviu “bati”... era o bêbado que ninguém  conhecia... 5 pedras cantadas e ele, por incrível que pareça, marcou todas elas. Jogo conferido e ao bêbado foi dado o litro de Whisky... todos em silêncio, ficaram olhando pra ele. Nunca mais vi aquele bêbado sortudo.

Os árabes dizem: “Deus é lindo e ama a beleza.”

Hoje, 21de fevereiro, as 16:52 horas, com um calor “brabo”, o radinho manda Triny Lopez com a sensacional “Quando Calienta el Sol”... hino espanhol interpretado por um artista americano... é o exemplo do bom gosto musical, a excelência da interpretação... “ Quando o sol esquenta na areia sinto seu corpo vibrar perto de mim...”

Interessante: encontrei em meus pertences a seguinte informação, que vou levar ate vocês, respeitando a ortografia da época: “em 10.7.1928. Conquista na Câmara Federal: “si todo o Estado de Minas Geraes produzisse como Conquista, o valor de sua producção seria de oito a dez milhões de contos e a do Brasil de cincoenta milhões. Conquista é o exemplo mais característico do Brasil na lavoura de arroz sem irrigação.

(Palavras proferidas pelo Dr. Simões Lopes, na Câmara Federal).” Gosto de publicar estas notas aqui, simplesmente par mostrar como diferente poderia ser a Conquista de hoje, se continuasse a “pensar” como lá pensavam em 1928, nossos agricultores.

Mahatma Gandhy disse “problemas não existem, são simplesmente experiências que você não viveu ainda.” Quem quiser filosofar que, filosofe, mas que Gandhy disse, disse...

Olha, bicho, a vontade de viver que temos, acredito, é muito grande, mas o tempo, ah! O tempo, é covarde... não nos dá tempo, uma chance para vive-lo mais, chegou no seu fim, tchau!!! Agora, estou no meu dia a dia, a fé que trago no peito é a minha garantia... não deixem o romantismo morrer... vamos vive-lo minuto a minuto.

“Só não envelhece  quem morre novo!”

18:00 horas... o sol esta desaparecendo, voltamos ao horário normal e agora é hora da Ave Maria... vamos rezar... faz bem...

Jogando futebol contra o independente de Uberaba, anos idos, bem idos, dei um carrinho numa dividida , perto da lateral... bati as costas no gramado e senti aquela dorzinha fina na altura da clavícula... levantei e o braço pesou... a dor aumentou... sentei e pedi a entrada de alguém para me apoiar e sair do campo... o nosso massagista, saudoso Ninão Guardieiro, entrou e expliquei a ele o que estava sentindo... pediu para que tirasse a camisa... em seguida jogou mertiolate no meu ombro doído, falei “seu Ninão, não tem machucado... é a clavícula acho... e esta doendo lá no fundo e... olhando para o outro lado não vi o que ele ia fazer e fez, e repicou suas mãos com muita força no local... cara, que dor, gritei e ele parou. Fui a Santa Casa e constatou-se que a clavícula estava quebrada. Na segunda feira AAC mandou-me para Uberaba com o Zé Português e o Vicente Macaco, que fazia meio campo comigo, ou melhor eu fazia meio campo com ele, tem que existir a autarquia. Ele era um cracasso. Chegando no famoso e renomado médico Rene Barsam, logo fui convidado a entrar, e os amigos foram comigo, relatei o ocorrido... ele tirou um raio x e veio com a “chapa”. Sentou-se e foi dizendo “você quebrou a clavícula e foi serio” e, prosseguiu “diga-me uma coisa... quem lhe atendeu ou olhou o ocorrido no domingo do jogo, ontem?”, respondi  “o massagista do nosso time, seu Ninão... no que o medico retrucou “ele colocou sua clavícula no lugar certinho... coisa de medico”. A clavícula foi engessada e fomos rir de tudo isso lá no “Bar da Viúva...”

O calor esta demais. O rei mata a coluna... “sou feliz e nada mais me interessa...” “eu fico triste só de pensar em te perder...” agora quem cantou e fechou a coluna pela segunda vez fui eu... é o radinho preto... vou desliga-lo... a noite vai tomando conta de tudo... é a escuridão que Deus manda, e se Ele manda, temos que respeitar e aceitar... “Click”... Um abraço.