Promotoria explica corrupção envolvendo advogados e prefeitos da região

Operação Isonomia

O escritório de advocacia apontado como cabeça de um esquema de tráfico de influência e corrupção em prefeituras da região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba buscava lucro sem prestar serviços, segundo informação da promotoria de Uberlândia, em entrevista coletiva concedida à imprensa nesta quarta-feira (24). Além disso, dos sete contratos firmados entre administrações municipais e escritórios investigados na operação Isonomia, quatro teriam sido feitos por meio de distribuição de propinas para prefeitos e ex-prefeitos.

Durante a coletiva, os promotores que estiveram à frente da ação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) explicaram que o escritório Costa Neves Advogados era contratado sem licitação por prefeituras para conseguirem compensações de créditos judiciários. Contudo, a falta de experiência da empresa não justificaria a inexigibilidade do processo licitatório. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), as investigações mostraram que a influência do escritório Ribeiro Silva Advogados Associados é que fazia com que a outra empresa fosse contratada e por isso aquele era quem organizava o esquema de lucro ilegal. Ambos os grupos de advogados, então, repartiriam os valores de honorários igualmente. “Através da indicação da Costa Neves, (Ribeiro Silva) recebia 50% de toda prestação de serviços executada sem sair de Uberlândia”, disse o promotor Adriano Bozola.

As operações aconteceram entre os anos de 2015 e 2016 e cerca de R$ 1,5 milhão foi movimentado, dos quais R$ 500 mil teriam sido repassados para Ribeiro Silva. Segundo o Gaeco, para que os contratos fossem efetivados, os então prefeitos Diógenes Borges, de Canápolis, Marcos Aurélio Lagares, de Carmo do Paranaíba, Antônio Cláudio Godinho, de Presidente Olegário, e Fernando Marangoni, de Perdizes, pediram propinas de até 20% dos valores pagos ao escritório Costa Neves. As prefeituras de Abadia dos Dourados, Patrocínio e Centralina, ainda que tenham feito contratos com a empresa e fossem investigadas, não receberam valores ilícitos pelos serviços.

Marangoni que foi reeleito renunciou ao cargo de Prefeito e continuava preso, depois de ser flagrado recebendo R$ 20 mil em dinheiro em Uberlândia. Já Borges, que chegou a ser preso por posse ilegal de arma de fogo, pagou fiança e está em liberdade. Os demais ex-prefeitos acusados chegaram a ser filmados negociando os pagamentos de propinas. Os vídeos foram anexados à denúncia. Todos poderão responder às acusações em liberdade, uma vez que a Justiça negou os mandados de prisão, de acordo com a promotoria. “(As negativas) são objeto de recurso do Ministério Público junto a Tribunal de Justiça”, disse o promotor Daniel Marotta.

Procurado pelo TOPUAI, o sócio fundador do Ribeiro Silva, Rodrigo Ribeiro, informou que ainda não tinha inteiro conhecimento das denúncias e poderia se pronunciar apenas depois de ler os autos. Além dele, outras três pessoas ligadas ao escritório foram denunciadas. Como houve colaboração com as investigações, ninguém do escritório Costa Neves foi acusado formalmente.