Em entrevista, Afrânio comenta estado de saúde que o tirou do Copão junto a sua equipe

Copão Regional

Em entrevista ao portal TOPUAI, o jogador Afrânio de Oliveira Marques, 31, (na foto, com o goleiro Clarkson Oliveira, 29), que joga na posição fixo pela equipe TJ-P comentou sobre o ocorrido na última quarta-feira (31/08) quando passou mal e não pôde jogar a semifinal do Copão de Inverno.

Como a situação foi considerada grave pelos demais membros da equipe TJ-P, eles entraram em quadra na mesma noite do jogo, mas desistiram de continuar a competição. Com isso, a equipe Termir venceu por WO e disputou a grande final na sexta-feira (2), perdendo para a equipe do Atlético (CAS).

Acompanhe agora, a entrevista concedida por Afrânio e Clarkson sobre o que realmente aconteceu e o seu atual quadro de saúde, que levaram a equipe à desistência do jogo.

A internação.

“Na terça à noite cheguei em casa e não estava tão ‘legal’. Deitei e dormi. Acordei de manhã no dia seguinte, dia do jogo, passando mal, na hora do almoço meu padrasto chegou e já tinha vomitado muito. Daí fui para o hospital por volta das 11h e lá já não lembro de muita coisa. Lá começaram a medicar, fui internado até que ocorreu a convulsão. Disseram que perdi os sentidos, cheguei a morder minha mãe, tiveram que me amarrar, não lembro de nada...”

Ficou ciente de que teriam saído do Copão.

“Fiquei sabendo precisamente na quinta-feira, mas na quarta à noite lembrei da visita do técnico do outro time junto com o Jorge, um amigo meu que estava jogando para eles. Eu não sabia que meu time não tinha jogado. Só quando saí, já em casa, que fiquei sabendo o que realmente aconteceu”.

Saiu na quinta-feira às 14h. Segundo a mãe de Afrânio, Valéria Oliveira, a recomendação médica é que ele estaria impossibilitado de jogar futebol até que fizesse todos exames para averiguação do seu estado de saúde. Na tomografia da Santa Casa, não deu nada. Depois da medicação, foi liberado do hospital.

O que achou da atitude dos colegas?

“Fiquei emocionado, bonito da parte deles. Como que eles iam jogar? Eles não iam ter cabeça para isso. Querendo ou não, sou um líder para o time”.

Como se sente hoje?

“Fui encaminhado hoje [segunda, dia 5] para o neurologista em Uberaba onde fiz uma ressonância que ficará pronta em três dias e amanhã [hoje, dia 4] irei fazer o eletrocardiograma em Araxá. Ainda estou meio ‘voado’, um pouco esquecido, deve ser por causa da medicação”.

Clarkson comenta quando souberam da gravidade da situação

“Estava trabalhando, quando minha esposa me ligou. Fui correndo para o hospital, achando que seria só uma virose, mas quando eu e André [técnico do time] chegamos, já ficamos sabendo desta crise convulsiva e isso já nos abalou. O que passaram para gente e presenciamos é que ele já tinha caído [lá dentro do quarto], não estava respirando direito, cada um falava uma coisa, vinha um e dizia que ele seria levado para Uberaba. Até que falamos: ‘vixe, o trem é grave mesmo’. A gente ficou naquele desespero sem saber ao certo o que fazer e com o tempo passando, procuramos o secretário de esportes. A gente não tinha psicológico para jogar, vimos a mãe e o padrasto, a namorada, todos desesperados”.

Conforme Clarkson, o secretário de esportes procuraria os dirigentes do outro time para explicar a situação [adiar a partida], e inclusive dois representantes do outro time estiveram no hospital e acompanharam in loco o quadro de Afrânio.

Desistência da partida.

“Por volta das 19h, recebemos a informação que o outro time não aceitaria a mudança do dia do jogo. Chegamos a ir, entramos em quadra uniformizados e em forma de protesto, decidimos não jogar mais. Protesto, por que? Porque em primeiro lugar, esporte é saúde. Faltou isso com o ser humano. Preservaram primeiro a competição, depois a saúde. Sabemos da punição, fizemos isso com consciência, em prol do esporte que é saúde. Não tínhamos condições de jogar”.

A reportagem entrou em contato com a secretaria de esportes que informaram que o regulamento será cumprido.