“Lê” está de volta e contou tudo sobre a carreira internacional na Europa

Futsal

Aquele rapaz da Cohab continua o mesmo: humilde e bom de bola. E a carreira internacional não fez dele uma pessoa metida e muito menos distante de suas origens. Retornou para o Brasil, para sua cidade natal, Sacramento (MG), na última quarta-feira (22), o jogador de futebol Leandro Alexandre Ferreira (foto), o “Lê”, 26 anos.

O atleta nascido em Sacramento estava há 9 meses na Europa, onde integrou a equipe do Apoel/Nicósia - no Chipre [ilha populosa no Mediterrâneo]. Um pouco tímido, mas sempre decisivo para o que realmente almeja [e cá para nós sabemos que sua paixão é grande pelo futebol], no ano passado ele foi contratado para essa equipe e já nos primeiros meses, já disputava a Champions League UEFA. Esse campeonato reuniu os principais times europeus e proporcionou ao jogador, maior visibilidade mundial e atraindo olheiros para seu majestoso talento com a bola.

E agora como prometido, ele gravou entrevista com o TOPUAI em primeira mão, e comentou sobre a experiência no exterior, a carreira internacional e o futuro.

Morar no exterior – o que parecia impossível, aconteceu. Depois de se tornar jogador profissional, jogando para alguns clubes brasileiros, a carreira internacional chegou e Lê abraçou a oportunidade, deixando a família e os amigos em Sacramento. “Lá no Chipre, foi muito difícil no início. Sofri com ansiedade, com a comida e o fuso horário. Com dois meses lá eu não conseguia dormir. Tive apoio da diretoria do clube que me levaram em nutricionista, médico, compravam remédio... falava todos os dias com minha família, meu sobrinho e a namorada”, destacou.

O tempo de viagem do Brasil até a cidade onde se instalou nesses 9 meses, eram quase 17 horas. Portanto, a distância, lhe trouxe mais amadurecimento. “No início, foi tranquilo, no sentido do idioma, teve ainda a convivência com os outros dois brasileiros que foram comigo, um deles até casado. O idioma grego é muito difícil, mas a maioria lá fala mais o inglês. Assisti muito filme legendado para ter essa noção da língua. Isso ajudou muito. Hoje eu me viro. Eu ia para o mercado ou padaria, e conseguia comprar. Daí pensava: caramba, consegui”, disse aos risos.

Jogar para o clube que era campeão – a chegada já foi um desafio, porém integrar a equipe do atual campeão do Chipre gerou ainda mais expectativa. No ano passado, ele jogou a Super Copa – disputa entre os campeões da Copa e da Liga, vindo a perder ambos os campeonatos. No Champions League, também foi eliminado na 1ª fase.

No Brasil, jogava na posição de ala direito; lá no Chipre, foi contratado para atuar como fixo – que modestamente, Lê joga muito bem [por sinal!]. Fazendo um balanço dos últimos meses, Lê enfrentou muitas dificuldades no time, mesmo jogando bem. Chegaram a duas finais importantes: a da Copa e da Liga do Chipre, enfrentando o time do Omonia, considerado o principal clássico do país. Em ambos campeonatos, a equipe do Apoel não venceu. “Nosso garoto” fez tudo que sua missão exigia, em quatro jogos da Liga, marcou 4 gols, porém não foram suficientes para vencer. Lê ainda não conseguiu títulos no exterior.

“Realmente fiquei muito triste porque perdemos nestas duas finais. Foi um ano difícil em relação à títulos, mas chegar até ali foi muito importante. Quando fui, não tinha noção como era o nível dos times. Tinha expectativa porque queria mostrar o que sei jogar no futsal, até porque ano passado o Apoel foi campeão. Foram jogos difíceis. Quem sabe, ainda volto e trago esse título”, ressalta.

O futuro a Deus pertence – sorte e perseverança são palavras fortes que sempre estão na cabeça do disciplinado e determinado jogador sacramentano. Questionado sobre o destino que irá trilhar a partir desse momento, a única certeza que ele “bateu o martelo” é de reunir com os amigos da cidade para jogar os atuais campeonatos, o “Amadorão” e o Copão em julho. Pressionamos sobre a carreira profissional, e com aquele jeito que sabe, mas quer primeiramente curtir a temporada de férias principalmente com a família e amigos, ele não desconversou e disse: “acabou o contrato. Se caso eu voltar, a temporada já começa depois do mês de agosto. Ainda estou negociando. O time demonstrou interesse. Pedi um tempo e a equipe aceitou. O pessoal ainda faz questão de eu estar no time. Vai depender mais de mim”.

O futuro está lançado. Nestes três meses, Lê decidirá seu futuro profissional, colocando os prós e contras, e as garantias de uma vida e salário ainda melhores, abdicando do Brasil para retornar para a Europa. A única certeza que tivemos durante a entrevista é de sua paixão pelo futebol e isso ele não abre mão. Se for para voltar, é porque ele quer continuar esse trabalho e evoluir cada vez mais.

Antes de finalizar, deixamos nossa mensagem, para que ele possa primeiramente descansar e depois refletir do que é melhor para sua carreira. Agora é viver no aconchego do seu lar, matar a saudade dos pais Eurípides Barsanulfo Ferreira, o “Pipa”, e Maria Beatriz Pereira Ferreira, a “Bia”, dos sobrinhos, irmãos e da namorada