Ministro da Agricultura participa do manifesto 'S.O.S Leite' contra a crise dos preços

SOS Leite

A cidade de Prata (MG) recebeu nesta segunda-feira (16) o 1º Manifesto Nacional para o fortalecimento da cadeia produtiva do leite. Organizado pelo Núcleo dos Sindicatos Rurais e Fecoagro Leite Minas, o evento recebeu a presença do Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, aproximadamente mil produtores, e ainda presidentes de sindicatos e representantes de entidades de toda a região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.

Em todo o Brasil, há mais de 1 milhão de produtores de leite e há registro de atividade leiteira em 99% dos municípios. Em toda a cadeia do leite estão envolvidos cerca de 4 milhões de trabalhadores. Apenas em Minas Gerais, 250 mil pessoas dependem dessa produção.

Desta forma, o evento cujo lema foi “SOS leite – Balde Cheio, Bolso Vazio”, teve por objetivo alertar as autoridades do risco de se aprofundar ainda mais a crise no setor leiteiro por falta de mecanismos que garantam renda para o setor.

Dentre as discussões, o ministro defendeu a tese de que o leite produzido no Brasil pode deixar de integrar a pauta de negociações do Mercosul (Mercado Comum do Sul - composto pelo país junto com Uruguai, Argentina e Paraguai).

Segundo o ministro, o Brasil tem uma chance de pedir que o leite fique fora do comércio entre os países porque o açúcar já não integra o Mercosul.

“"O Brasil é um grande produtor de açúcar. A argentina impediu isso no passado. Eu tentei negociar esse ano que passou cotas para a Argentina. Mas zero. Simplesmente permitir o mercado para que a gente fosse para a negociação com a comunidade europeia com o açúcar dentro do Mercosul. Nem isso eles aceitaram. Então nós temos essa condição sim, de pedir, de pleitear. Não vejo nenhuma desonestidade nisso porque já temos um produto fora, que é muito importante para a economia brasileira", ressaltou.

Na última terça-feira (10), as importações brasileiras de leite do Uruguai foram suspensas. O governo brasileiro apura que o país vizinho importava leite da Argentina e reexportava ao Brasil, causando um desequilíbrio na disputa com o mercado interno. Técnicos do ministério devem tentar uma saída para o impasse ainda nesta semana.

“Hoje vim a Minas Gerais conversar com os produtores de leite, escutar as reivindicações do setor. Esse assunto é complexo, não envolve apenas o mercado interno, mas o mercado externo também. Temos várias medidas sendo tratadas pelo Congresso Nacional e já reportei ao presidente Temer o grau de dificuldade encontrado nesse setor. Ainda mais por ser, no Brasil, um setor fragmentado, composto em sua maioria por pequenos produtores. Estamos tratando o assunto com calma, mas com toda a firmeza necessária. A posição do Mapa é muito mais em defesa do produtor rural, do setor, principalmente depois do pedido da Frente Parlamentar Agropecuária pelas suspeitas levantadas. Na próxima semana, uma comitiva brasileira deve visitar o Uruguai para fazer as vistorias necessárias e checar toda a documentação para podermos fazer novas considerações a respeito desse pleito”, destacou o ministro Blairo Maggi.

Depois das discussões, os produtores entregaram uma carta com reivindicações ao ministro. Para o presidente do Sindicato Rural de Uberaba, Romeu Borges Júnior: “estamos mostrando ao país que o setor tem se organizado a cada dia e, com isso conseguimos mostrar que o agro é o principal negócio do país. Só nos unindo vamos colocar em pauta nossos desafios e, juntos com o poder público, encontraremos soluções para o agronegócio brasileiro crescer ainda mais”.

 

sindicatos
Presidentes dos Sindicatos Rurais do Triângulo e Alto Paranaíba unem forças em defesa da classe produtora de leite (Foto: Reprod. Facebook SRU)

Logo após o evento, os produtores de leite e representantes de entidades ligadas ao setor fizeram um protesto pacífico, interditando a BR-153 por uma hora e distribuindo leite para os motoristas. Segundo a categoria, o custo de um litro de leite é de R$ 1,30 atualmente, mas os produtores dizem receber apenas R$ 1 pela venda.

* Redação/Daniel Afonso