Audiência Pública debate situação do Colégio José Ferreira na Câmara Municipal

Audiência Pública

Uma Audiência Pública realizada na manhã desta terça-feira (07), no Plenário da Câmara Municipal, abordou a situação administrativa e financeira do Colégio Cenecista Doutor José Ferreira. Os vereadores Luiz Dutra (MDB), Franco Cartafina (PHS) e Rubério dos Santos (MDB) foram os autores do requerimento, mas o documento foi assinado por todos os parlamentares.

O encontro teve o objetivo de levar informações de interesse da comunidade escolar e sociedade em geral, no sentido de esclarecer a forma de trabalho da nova administração do colégio. Os pais dos alunos não concordam com a forma como as mudanças estão sendo realizadas, principalmente após os desligamentos do professor Danival Roberto Alves e da professora Mariluce Cardoso Alves da direção do Colégio.

Segundo o presidente da CMU, Luiz Dutra, o assunto é importante e não só de interesse da escola. Ele explicou que os vereadores foram procurados pelos pais de alunos, que solicitaram a realização da audiência.

Os dirigentes da escola, que foram convidados para a reunião, não compareceram e enviaram um ofício, justificando as ausências e as providências que estão sendo tomadas pela direção.

No documento, assinado pela secretária executiva do CNEC, Gerfânia Damasceno, foram prestados esclarecimentos, já divulgados antes, sobre a gestão pedagógica e administrativa do colégio e da Faculdade CNEC de Educação de Uberaba. De acordo com as informações, está em curso um processo seletivo nacional para a contratação de diretor (a), para o complexo educacional, que reúna formação acadêmica, trajetória e experiência na gestão de instituições de Educação Básica de excelência e de grande porte, como é o colégio.

Foram divulgados, também, os nomes dos professores que estão conduzindo as atividades do colégio. O documento mencionou, ainda, o direito dos colaboradores, o formato pedagógico, a situação da Editora e Gráfica Doutor José Ferreira, as bolsas de estudo, e a regularidade das atividades escolares acadêmicas.  

O ofício é encerrado com a afirmação de que “toda a equipe de educadores da CNEC e do Colégio estão comprometidos em favorecer as condições necessárias ao desenvolvimento das atividades pedagógicas planejadas aos nossos alunos em ambiente de acolhimento e serenidade”.

O presidente da OAB Uberaba, Vicente Flávio Macedo Ribeiro, participou da reunião, assim como a secretária municipal de Educação, Silvana Elias, além de vários representantes da comunidade, professores e pais de alunos.  

Alexanndre Lennon Dias Silva se pronunciou, em nome dos pais de alunos. Ele lembrou que o afastamento do diretor Danival era esperado, pois ele se dedica ao colégio há mais de 50 anos, dos quais 30 atuou como diretor. O representante lembrou, também, que o colégio de Uberaba mantém a rede Cenecista no Brasil inteiro, sendo que no último ano o sistema perdeu quase 9 mil alunos.

“Eles querem conter gastos em uma escola que não tem prejuízo. No ano passado foram R$ 3 milhões de lucro. Só a gráfica, deu lucro de R$ 23 milhões”, afirmou Alexanndre. De acordo com ele, atualmente as bolsas de estudo, que não correspondem proporcionalmente à quantidade de alunos do colégio, que hoje são cerca de 10 mil.

Para Alexanndre, é preciso lugar pela preservação de um colégio que é muito mais do que apenas preparar para o vestibular, “é um lugar que cria pessoas”, afirmou.

O advogado Marco Aurélio Costa Junior, se manifestou, representando pais e alunos. Segundo ele, todos querem um administrador que seja escolhido pela comunidade.

Marco Aurélio comentou que, enquanto a unidade de Uberaba dá lucros, a rede CNEC tem cerca de R$ 1 milhão em protestos, entre outros problemas administrativos/financeiros, como o valor de R$ 87 milhões em imóveis penhorados, que poderão ser destinados a pagamentos de dívidas.

E mesmo com uma unidade superavitária, o colégio pagou o 13º atrasado, segundo o advogado. Ele disse ter informações também de que o FGTS não estaria sendo recolhido, tornando a situação ainda mais preocupante. “É preciso lutar por este patrimônio educacional e cultural da cidade”, concluiu Marco Aurélio.

A secretária Silvana Elias, explicou que participou da audiência como gestora do Sistema Municipal de Educação, a pedido do prefeito Paulo Piau, para contribuir da melhor forma possível. Segundo ela, é preciso entender que o colégio faz parte de uma rede, gerida pela unidade de Uberaba.

Para Silvana, é preciso ser prático, exigir um mínimo de transparência, com representantes de todas as partes envolvidas, assim como as lideranças da cidade, que podem contribuir para que as cartas sejam colocadas na mesa.

“Eu me solidarizo com os pais, como mãe de três filhos”, afirmou a secretária, se colocando à disposição para ajudar no que for possível.

Os vereadores demonstraram apoio, com o objetivo de tentar buscar uma solução para a situação do colégio, inclusive para marcar uma reunião com os responsáveis pelo CNEC nacional, em Brasília, na qual participariam a Comissão de Educação da CMU, o prefeito Paulo Piau, a secretária Silvana Elias e representante dos pais de alunos. Deputados que representam a cidade também serão convidados a participarem da reunião.

Na ocasião será apresentado um documento, com o resumo da Audiência Pública, contendo as principais reivindicações, inclusive a necessária autonomia financeira do colégio.

Comunicação CMU