Pesquisadores da UFU descobrem nova espécie de perereca do Cerrado

UFU

Estudos taxonômicos realizados em parceria com grupo da Unicamp levaram em consideração o canto e a análise genética do anfíbio, encontrado às margens do Rio Araguaia, no Mato Grosso

Professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) lotado na Faculdade de Ciências Integradas do Pontal (Facip), Ariovaldo Antonio Giaretta, lidera o grupo de pesquisa responsável pela identificação de uma nova espécie de anfíbio na cidade de Pontal do Araguaia, no Mato Grosso, à beira do Rio Araguaia.

O animal foi batizado como Pithecopus araguaius  e, porteriormente, também foi encontrado pelos pesquisadores na Chapada dos Guimarães e na cidade mato-grossense de Santa Terezinha.

Giaretta comenta que foi ele o primeiro membro da equipe que assina o artigo oficializando a descoberta – recém-publicado pela revista científica PLOS ONE – a ter contato com o animal, numa pesquisa de campo ocorrida em 2010.

"Naquela ocasião, ao ouvir o canto dos machos no campo, já percebi que era algo inusitado e pensei que poderia ser uma espécie conhecida do Nordeste do Brasil. A Isabelle Aquemi Haga, que foi minha aluna de Ciências Biológicas na Facip até 2013, manifestou interesse no estudo das espécies do grupo e sugeri a ela que avaliasse a identidade desses espécimes mais detalhadamente. A partir de então, ampliamos a equipe e, em parceria com a Universidade Estadua l de Campinas (Unicamp), onde ela estava cursando mestrado na época, coletamos mais dados em campo no ano de 2014. Fazendo a comparação da morfologia e do canto com os das encontradas no Nordeste, vimos claras diferenças", revela.

Felipe Silva de Andrade foi o outro egresso da turma de Ciências Biológicas diplomada pela Facip em 2013 incluído no projeto. Ele também foi colega de Isabelle no mestrado em Biologia Animal, cursado na Unicamp até 2015 e no qual ambos receberam a orientação da professora Shirlei Maria Recco-Pimentel. "O interessante é que ela também foi minha orientadora na graduação, finalizada em 1990, de forma que são três gerações unidas na elaboração desse trabalho agora divulgado", ressalta Giaretta. Além dos quatro pesquisadores já citados, o último membro da equipe responsável pela descoberta da nova espécie de perereca foi o biólogo Daniel Pacheco Bruschi, que cursou seu doutorado na universidade paulista.
 
Valor científico - Ainda de acordo com o docente da UFU no Campus Pontal, estudos taxonômicos, como este, conferem oficialidade e formalismo à biodiversidade. "Obviamente, as espécies existem na natureza, porém, somente procedimentos técnicos específicos permitem atribuição de nomes que condicionam a comunidade científica e política a se referir especificamente a elas com precisão e sem ambiguidades", pontua.

Ele destaca, ainda, que a parceria com a Unicamp durante todo o processo foi fundamental para o êxito dos resultados deste trabalho: "São colegas com vasta experiência nas espécies do grupo de anfíbios que estávamos pesquisando, principalmente o que tange à diferenciação genética. A investigação em conjunto de todos esses aspectos sem dúvida alguma foi decisiva para que confirmássemos as distinções claras entre as espécies e concluíssemos que a essa população não poderia ser atribuído os nomes até então conhecidos".

* UFU