UFU e PM se acertam sobre rondas em campi

UFU

Imagem interna do Campus Santa Mônica da UFU: Universidade e PM acordam sobre policiamento no interior dos campi da instituição

Após decisão judicial, Polícia Militar (PM) e Universidade Federal de Uberlândia (UFU) parecem ter chegado a um denominador comum sobre o patrulhamento dentro dos campi da instituição. Por outro lado, entre professores e alunos a questão ainda é vista com ressalvas e gera desconfiança sobre como será a atuação militar nas áreas internas da universidade.

Desde setembro de 2016, a Justiça Federal determinou que não houvesse qualquer impedimento da atuação policial nos campi da UFU, incluindo a necessidade de comunicação à PM de eventos que necessitem, por Lei, da presença de efetivo da corporação, bem como da liberação do Corpo de Bombeiros. Essa decisão foi do juiz Lincoln Rodrigues de Faria em resposta à ação do Ministério Público Federal (MPF).

Agora, de acordo com o prefeito universitário, João Jorge Ribeiro Damasceno, as conversas com os comandos da PM foram mais abertas a partir do fim de dezembro do ano passado. Ainda segundo ele, em março, a Justiça Federal chegou a consultar o andamento do policiamento nos campi, o que já ocorria. “A comunidade clama por segurança, nós temos a nossa, mas ela é patrimonial e não tem poder de polícia”, disse Damasceno. Atualmente há 45 seguranças contratados pela instituição e outros 130 terceirizados, segundo dados da própria segurança da UFU. Eles se revezam por turnos nos sete campi da universidade. No fim de 2016 foram dispensados mais de 100 seguranças por redução de custos.

Sobre possíveis conflitos com a comunidade universitária, o prefeito universitário afirmou que trata algumas especificidades nos campi, como, manifestações de opinião pacíficas de maneira a não ser necessária intervenção. “Caso não haja depredação é uma manifestação tranquila”.

PM informa a já realização de rondas nos campi

Os principais campi da Universidade Federal de Uberlândia estão na área do 17º Batalhão da PM, como Santa Mônica e Umuarama, e segundo o subcomandante da unidade, Major Miller Michalick, a PM nunca deixou de fazer rondas nesses locais. “A única corporação que deve fazer patrulhamento ostensivo é a PM. Existe um entendimento incorreto de que ela não pode entrar (na UFU). Polícia Federal tem caráter de polícia investigativa”, disse.

Contudo, ele confirmou que existem conversas com a universidade, inclusive estendendo o trabalho para instituições de ensino superior particulares. No entanto, não seria possível manter equipes exclusivamente para os campi, uma vez que a polícia trabalha com foco em regiões onde há maior volume de crimes. “Fazemos o policiamento também no campus e dentro do planejamento, a universidade se torna uma região dentro dos bairros”, afirmou o Michalick.

Policiamento é aceito com ressalvas

A estudante Livia Seyfried teve o carro furtado dentro do Campus Santa Mônica

Lívia

Professores e alunos entrevistados pelo TOPUAI disseram que é preciso aumentar a segurança na UFU, mas o policiamento tem ressalvas. Em 2013, a estudante de Administração, Livia Seyfried teve o carro furtado do campus Santa Mônica e diz que de lá pra cá se sente mais receosa com maior número de casos de violência divulgados. “Não sei ao certo (se a violência aumentou), porque na época que meu carro foi furtado muitos outros estavam sendo, só que ninguém tinha acesso às informações. Agora elas são mais divulgadas”, disse. Livia teme, contudo, que a atuação da polícia acabe sendo truculenta no contexto da universidade.

Segundo a professora do curso de Teatro, Maria Lyra, recentemente duas estudantes da instituição teriam sido detidas por mal-entendidos e falta de diálogo por parte da PM. “Agora, a gente sabe que tem roubo, que já teve tentativas de estupro, que já teve assalto nos arredores. Não estou desmerecendo a necessidade de segurança, mas o que está rolando, e não é só na UFU nem só aqui em Uberlândia, é abuso de poder”, disse.